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Volumen XXXIII, Número 2, Outono 2007

PSICOTERAPIA INTERPESSOAL(PTI)

Editorial

Ursula Streit, Jean Leblanc, La psychothérapie interpersonnelle : bien au-delà de ses premières applications, p.7


Dossier : Psicoterapia interpessoal

Jean Leblanc, Ursula Streit, Origens e descrição da Psicoterapia Interpessoal (PTI), p. 31

Laura Mufson, Gabrielle Anderson, Psicoterapia interpessoal para adolescentes que sofrem de depressão: teorias, técnicas e pesquisa, p.49

Marie-Geneviève Iselin, Gregory A. Hinrichsen, La psicoterapia interpersonal (PTI) en el tratamiento de la depresión en los ancianos, p.67

Scott Stuart, Elizabeth Clark, A psicoterapia interpessoal (TIP) para o tratamento da depressão nas pessoas idosas, p.87

Paolo Scocco,Elena Toffol, Revista da literatura sobre a Psicoterapia Interpessoal de Grupo, p.105

Michael Robertson, Émilie Grenon, A psicoterapia interpessoal (TIP) para o tratamento do transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), p.133

Holly A. Swartz, Ellen Frank, Debra Frankel, Psicoterapia interpessoal e de ritmos sociais (TIPRS) no transtorno bipolar II: Estrutura do tratamento e exemplos clínicos, p.151

MOSAÏQUES : Mélanie Lapalme,Michèle Déry, Características associadas ao transtorno oposicional, ao transtorno das condutas e a sua concomitância, p.185

Olivier Coquard, Sebastien Fernandez, Yasser Khazaal, Avaliação da qualidade dos sites Internet francófonos que tratam da dependência ao álcool, p.207

Eliseu Carbonell-Camós, Hipótese sobre as dimensões temporais do suicídio, p.225

Myra Piat, Alain Lesage, Henri Dorvil, Richard Boyer, Audrey Couture, David Bloom, Estudo descritivo sobre as preferências residenciais das pessoas que sofrem de transtornos mentais graves, p.247

Sophie Boucher, Nikolas Paré, J. Christopher Perry, John J. Sigal, Marie-Claude Ouimet, Repercussões de uma infância vivida em instituição: O caso das Crianças de Duplessis, p.271

J’ai lu :

Marie-Claude Thifault, Peut-on guérir d’un passé asilaire? survol de l’histoire socio-organisationnelle de l’hôpital Rivière des Prairies, par Hubert Wallot.293




Origens e descrição da Psicoterapia Interpessoal (PTI)
Jean Leblanc, Ursula Streit

A Psicoterapia Interpessoal foi desenvolvida durante os anos 1969-1984 para o tratamento da depressão. Ela é utilizada atualmente para uma grande variedade de patologias e problemáticas clínicas. Este artigo descreve as bases empíricas que conduziram à elaboração da PTI como conhecida atualmente, e dá uma visão geral de suas características básicas. Ele define as diferentes fases do tratamento dentro de tal abor­dagem. As diversas áreas problemáticas (focus) são enumeradas e descritas e as técnicas específicas utilizadas dentro desta abordagem são descritas sumariamente. Finalmente, a especificidade da PTI em relação às outras abordagens clássicas da psicoterapia é explicitada. A PTI é uma abordagem psicoterapêutica cuja eficácia reconhecida repousa em dados probantes.

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Psicoterapia interpessoal para adolescentes que sofrem de depressão: teorias, técnicas e pesquisa
Laura Mufson, Gabrielle Anderson

A psicoterapia interpessoal do adolescente que sofre de depressão (TIP-A) é uma psicoterapia breve, baseada em dados probantes, reconhecida como eficaz no tratamento do adolescente, da depressão unipolar sem sintomas psicóticos. Este artigo apresenta os princípios teóricos da TIP e suas adaptações ligadas ao desenvolvimento do ado­lescente, a noção de alvo do tratamento (principais áreas problemáticas) e as técnicas específicas da TIP-A. Este tratamento se concentra nas habilidades de comunicação e gestão da rede social atual do indivíduo. O trabalho do foco terapêutico visa melhorar as relações sociais do adolescente supondo que isto melhorará seu humor. As bases empíricas relativas à eficácia e os resultados preliminares de testes clínicos da TIP-A, além das pesquisas futuras sobre a depressão unipolar do adolescente são expostas brevemente.

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La psicoterapia interpersonal (PTI) en el tratamiento de la depresión en los ancianos
Marie-Geneviève Iselin, Gregory A. Hinrichsen

En este artículo, los autores explican por qué la psicoterapia interpersonal (PTI) es un tratamiento psicosocial particularmente eficaz para curar la depresión en los ancianos. Abordan las cuestiones que pueden surgir en el momento del empleo de la PTI en los ancianos y examinan los estudios sobre los ancianos tratados con la ayuda de la PTI. Al final presentan dos viñetas clínicas que ilustran la aplicación de la PTI en este grupo de personas. La PTI conviene particularmente bien a los ancianos en depresión porque la problemática abordada se asemeja mucho a las dificultades a las que los ancianos se enfrentan y que pueden, en algunos casos, desencadenar la depresión. Además, la PTI conviene bien a los ancianos a causa de sus componentes psicoedu­cativos, de su recurso al paradigma médico y de su naturaleza cooperativa, centrada en los problemas y circunscrita en el tiempo. Aunque la PTI necesita ser adaptada muy poco para su aplicación en los ancianos, debe apoyarse en los conocimientos de la gerontología y la psicología geriátrica. Ciertos estudios, al igual que nuestra práctica clínica, indican que el tratamiento intensivo (es decir, diario) en psicoterapia interpersonal reduce los síntomas de la depresión en los ancianos, pero serán necesarios más estudios para confirmar esta hipótesis. El consejo interpersonal -una versión modificada de la PTI- ha demostrado su eficacia en el tratamiento de los síntomas de la depresión en los ancianos con problemas médicos. Seguir el tratamiento o el tratamiento de mantenimiento mensual en PTI resulta benéfico en ciertos ancianos que sufren de patología depresiva grave. Los autores presentan dos casos que ilustran el empleo de la PTI. El primer caso se trata de los conflictos interpersonales mientras que el segundo se centra en las transiciones de roles.

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Psicoterapia interpessoal (TIP) e Aconselhamento interpessoal (AIP) para o tratamento da depressão pós-parto
Scott Stuart, Elizabeth Clark

A depressão perinatal é um transtorno dominante que comporta um grau elevado de morbidade ao mesmo tempo na mãe e no bebê. Atualmente, dispõe-se de tratamentos empiricamente validados para tratar tanto a depressão pós-parto quanto a depressão durante a gravidez. Entre estes tratamentos, a psicoterapia interpessoal (TIP) demonstrou sua eficácia para tratar a depressão pós-parto, seja ela leve ou grave. De fato, a evidência limitada das provas da eficácia da medicação e as preocupações a respeito de seus efeitos colaterais levaram algumas pessoas a propor que a TIP seja a primeira opção escolhida para tratar as mulheres que sofrem de depressão e que amamentam. Preocupações semelhantes persistem a respeito do uso de medicamentos durante a gravidez. Recentes experiências e pesquisas clínicas levam a crer que o aconselhamento interpessoal (AIP) poderia também ser eficaz em algumas mulheres em depressão pós-parto. Forma resumida da TIP, o AIP demonstra ser eficaz para tratar a depressão leve a moderada, e tem a vantagem potencial de ser mais fácil a disponibilizar no quadro dos cuidados primários ou dos meios obstétricos.

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Revista da literatura sobre a Psicoterapia Interpessoal de Grupo
Paolo Scocco, Elena Toffol

A Psicoterapia Interpessoal (PTI) foi concebida primeiramente como abordagem psicoterapêutica para tratar a depressão, mas desde então, ela é vastamente utilizada para tratar várias outras patologias. Recentemente, ela foi adaptada ao formato de grupo, que comporta ao mesmo tempo as vantagens e as desvantagens das outras psicoterapias de grupo. Utilizada pela primeira vez por Wilfley e seus colegas, esta adaptação mantém as principais características da PTI, ou seja, o papel central do eixo interpessoal e a identificação de uma (ou de duas) das quatro áreas interpessoais problemáticas (luto patológico, transição de papéis, conflitos de papéis e déficits interpessoais). A adaptação conserva também o papel ativo do terapeuta e do paciente individual dentro do grupo. Até hoje, a psicoterapia interpessoal adaptada aos grupos (PTI-G) serviu para tratar várias patologias (Transtornos de condutas alimentares não específicas, bulimia, transtornos depressivos e transtornos de estresse pós-traumático [TSPT]) junto a várias populações (adolescentes, idosos, mulheres grávidas, ou “novas mães”, mulheres toxicômanas detidas). Apesar da qualidade geral dos estudos sobre os resultados ser até hoje relativamente pobre, o exame do estado atual dos conhecimentos indica que a PTI-G pode tornar-se útil e que ela pode apresentar um certo número de vantagens no tratamento de vários transtornos psiquiátricos junto a várias populações de pacientes.

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A psicoterapia interpessoal (TIP) para o tratamento do transtorno do estresse pós-traumático (TEPT)
Michael Robertson

Entre as inúmeras modificações aplicadas na psicoterapia interpessoal (TIP), e de todas as suas aplicações, é a sua utilização no tratamento do traumatismo psicológico a mais complexa. A literatura anglo-americana define normalmente o traumatismo psicológico como sendo o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Apesar da atenção dada ao TEPT pela literatura científica, o transtorno psicológico leva a perturbações profundas do humor, da regulação do afeto, do conceito de si e do ajuste interpessoal, assim como uma profunda crise existencial na vida das pessoas que sofrem deste transtorno. Nenhuma terapia psicológica pode, então, pretender ‘tratar’ todos os aspectos de um estresse psicológico traumático. Estando baseada no indivíduo e na experiência de seu mundo interpessoal, a TIP oferece um quadro relativamente amplo para uma intervenção psicológica que, apesar de ser destinada a aliviar a depressão, aborda questões que não são normalmente abordadas em outros tratamentos baseados nos sintomas. Neste artigo, o autor tenta evidenciar os argumentos a favor do recurso à TIP para o tratamento de traumatismos psicológicos e de TEPT; e em seguida, ele apresenta alguns exemplos de sua utilidade em um ambiente clínico.

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Psicoterapia interpessoal e de ritmos sociais (TIPRS) no transtorno bipolar II: Estrutura do tratamento e exemplos clínicos
Holly A. Swartz, Ellen Frank, Debra Frankel

O transtorno bipolar II (BP II) é uma patologia psiquiátrica freqüente, recorrente e debilitante. Entretanto, poucos estudos avaliaram quais eram as melhores abordagens para o tratamento desta doença. A psicoterapia interpessoal e de ritmos sociais (TIPRS) demonstrou uma utilidade no tratamento do transtorno bipolar I, associado à medicação. Ao contrário do transtorno BP I, o transtorno BP II é caracterizado por períodos atenuados, não psicóticos, de mania (hipomania), de maneira que não parece ter contra-indicações no emprego da TIPRS em mono­terapia. Esta abordagem associa uma abordagem comportamental visando a aumentar a regularidade das rotinas cotidianas, com uma psi­co­­terapia interpessoal que ajuda os pacientes a melhor gerir os múltiplos problemas psicossociais associados a esta patologia crônica. É feita uma descrição dos conceitos teóricos que subentende a utilização da TIPRS no transtorno bipolar. Uma breve descrição do transtorno BP II é feita. Várias modificações mostraram-se necessárias, em nossa experiência, para adaptar a TIPRS ao tratamento do transtorno BP II (em comparação com o transtorno BP I), por causa das características clíni­cas particulares desta população, principalmente com respeito à insta­bilidade do quadro clínico, à dificuldade de perceber o tipo de episódio em curso porque os sintomas são freqüentemente mistos (combinação entre sintomas de ativação e de depressão), e igualmente, por causa da acumulação sintomática ou da comorbidade com o transtorno de personalidade borderline. Existe também uma co-morbilidade freqüente com o transtorno do abuso ou de dependência às substâncias psicoativas. Os exemplos tirados de nossa experiência clínica tendem a ilustrar diversas problemáticas correntes encontradas na terapia desta população, e que são relacionadas às características acima mencionadas do transtorno BP II. A TIPRS parece ser um acréscimo importante e interessante às abordagens de tratamento do transtorno BP II porque ela leva em consideração diversos aspectos desta patologia; esta abordagem nos parece eficaz neste estudo preliminar, e nós acreditamos que estudos sistemáticos futuros são necessários e permitirão avaliar de maneira mais formal sua eficácia no tratamento do transtorno bipolar II.

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Características associadas ao transtorno oposicional, ao transtorno das condutas e a sua concomitância
Mélanie Lapalme, Michèle Déry

O objetivo deste estudo é determinar se correlações (ou com­binações de correlações) pessoais, familiares e sociais permitem discri­minar crianças (n=336) que apresentam um transtorno oposicional (TO), um transtorno de conduta (TC) ou os dois transtornos em concomitância (TC+TO). As crianças do estudo têm entre 6 e 13 anos e foram recru­tadas entre as crianças que recebiam serviços especializados da escola ou do centro da criança e do adolescente por dificuldades comporta­mentais ou familiares. Os resultados sugerem que a personalidade antisocial dos pais e a falta de supervisão parental são mais associadas ao TC, ao passo que o transtorno deficitário de atenção com a hiperativi­dade e a inconstância da disciplina caracterizam mais as crianças que sofrem de um TO. As crianças do grupo TO+TC demonstram acumular correlações associadas a cada transtorno. Estas diferenças deveriam ser levadas em consideração na intervenção feita junto às crianças

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Avaliação da qualidade dos sites Internet francófonos que tratam da dependência ao álcool
Olivier Coquard, Sebastien Fernandez, Yasser Khazaal

O objetivo deste artigo é estudar de maneira sistemática a qualidade dos sites Internet francófonos que tratam da dependência ao álcool. Os autores examinaram as 20 primeiras páginas identificadas por três motores de busca gerais, contendo duas palavras-chave. No total, 45 sites pertinentes foram avaliados. Os autores concluem que a qualidade global dos sites é relativamente pobre, especialmente no que concerne à descrição dos tratamentos possíveis, e altamente variável. A qualidade do conteúdo não é relacionada com os outros aspectos avaliados como a interatividade, a estética ou a revelação da identidade dos autores ou de suas fontes.

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Hipótese sobre as dimensões temporais do suicídio
Eliseu Carbonell-Camós

Neste artigo, o autor aborda as dimensões temporais do suicídio, levando em consideração as múltiplas abordagens existentes - a psico­logia circadiana, epidemiologia psiquiátrica ou sociologia do suicídio - mas, privilegiando uma perspectiva socioantropológica. A partir desta perspectiva, o suicídio é examinado como um fenômeno social, que inscreve-se no tempo. Partindo de uma preocupação própria à antro­pologia do tempo, ou seja, a relação entre o tempo da natureza e o tempo da sociedade, o autor aborda um dos temas principais do estudo do suicídio já enunciado por Durkheim: a relação entre a mudança que é uma expressão de base da passagem do tempo e o suicídio. Depois de apresentar diferentes contribuições científicas sobre o assunto, o autor propõe uma hipótese que permite integrar a influência do tempo relacionado aos fenômenos naturais (ritmos cosmobiológicos) e a do tempo relacionada aos fenômenos sociais (ritmos politicoeconômicos) em relação com o suicídio a partir da teoria de Gabennesch que trata das “promessas não cumpridas”.

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Estudo descritivo sobre as preferências residenciais das pessoas que sofrem de transtornos mentais graves
Myra Piat, Alain Lesage, Henri Dorvil, Richard Boyer, Audrey Couture, David Bloom

Este artigo apresenta os resultados de um estudo exploratório que trata das preferências residenciais de 315 pessoas que sofrem de transtornos mentais graves, instaladas em sete tipos de hospedagem em Montreal. O quadro geral obtido pelo estudo evidencia que 22% dos usuários preferem morar em seu próprio apartamento, 16% nos abrigos HLM (habitação de aluguel módico) ou Organismos Sem Fins Lucrativos, 14,1% em apartamentos supervisionados e 11,5% em recursos de tipo familiar. É possível notar também que 31,7% destas pessoas preferem o tipo de alojamento no qual eles moram no momento do estudo. Nossa reflexão sobre os resultados deste estudo nos leva a concluir que uma variedade de tipos de recursos residenciais continua sendo necessária para atender à diversidade de necessidades dos usuários.

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Repercussões de uma infância vivida em instituição: O caso das Crianças de Duplessis
Sophie Boucher, Nikolas Paré, J. Christopher Perry, John J. Sigal, Marie-Claude Ouimet

As conseqüências negativas de uma internação em instituição sobre as crianças foram documentadas, mas nenhum estudo foi realizado sobre os órfãos e as crianças internadas quando já se tornaram adultas. No Quebec, as “crianças de Duplessis” testemunham de maneira profunda das repercussões a longo prazo de uma infância vivida em instituição. As histórias recolhidas junto a 40 homens e 41 mulheres que cresceram em instituição na época do governo de Duplessis relatam um alto número de abusos e de experiências adversas, incluindo agressões físicas, psicológicas e sexuais. O meio era pouco estimulante e oferecia poucas oportunidades de desenvolver relações de apego positivas e significativas. Quando eles foram colocados lado a lado e comparados aos adultos vindos da pesquisa de Santé-Québec, as “crianças de Duplessis” que se tornaram adultas sofrem mais de problemas de saúde ligados ao estresse e a uma depressão psicológica mais importante. Nossos resultados indicam igualmente que as pessoas que dispuseram de poucos recursos e aptidões pessoais na infância são mais afetadas pelas experiências adversas.

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